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Revista 'Ciência e Saúde Coletiva' completa 25 anos de história neste mês

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Publicado em:15/12/2020
Para celebrar seus 25 anos, a revista Ciência & Saúde Coletiva promoveu uma edição comemorativa para lembrar sua história. Os artigos publicados realçam a adesão ao desenvolvimento do SUS, a começar pela promoção da saúde e as análises sociológicas e políticas do sistema e as questões administrativas e de gestão. 

Além desses assuntos centrais, apresenta revisões sobre a saúde e os agravos em todo o ciclo de vida sob a perspectiva de gênero (infância, adolescência, vida adulta e envelhecimento) e temas como violência, nutrição, odontologia social e outros fronteiriços.



Os autores de um dos editoriais ‘O DNA da Ciência e Saúde Coletiva’ consideram quatro aspectos que tornam a C&SC um precioso ativo da área de saúde coletiva. Em primeiro lugar, sua pertença à Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) cuja história de 40 anos se confunde com a construção do SUS. Em segundo lugar, o fato de, desde a primeira edição em 1996, a revista acompanhar a formulação, a implantação, a implementação e a avaliação das ações do SUS. Por ser a revista brasileira do campo que mais publica sobre políticas de saúde, ela é contemplada no Relatório de Atividades da Capes referente à Área de Saúde Coletiva de 2017, que compara os triênios de 2003-2005 e de 2013-2015, no portal SJR: “A produção brasileira em Política de Saúde passou da 26ª para a 7ª posição na produção de artigos científicos no mundo, representando 3,2% do total no triênio 2013-2015. A participação da produção nacional em Saúde Pública, Saúde Ambiental, Saúde Ocupacional e em Epidemiologia dobrou no período em relação à produção mundial, enquanto a da área de Ciências Sociais em Saúde aumentou sete vezes”.

Em terceiro aspecto, o acervo da revista contribui para aumentar a cientificidade sobre o fenômeno saúde/doença, quando articula conhecimentos das ciências básicas, da saúde coletiva e da clínica. Ao publicar trabalhos inter e transdisciplinares, a C&SC se integra epistemologicamente à ciência contemporânea, pois, segundo Wallerstein, Giddens e Turner, no campo das ciências sociais e humanas hoje, a distinção entre matérias e áreas tem mais o sentido de reserva de mercado disciplinar do que de orientação da produção científica sobre realidades complexas como a saúde.

Em quarto lugar, uma observação sobre os métodos científicos utilizados pelos autores. No decorrer do tempo, como ocorre na maioria dos periódicos do setor, observa-se o predomínio das abordagens epidemiológicas. Porém, existe uma boa parcela do acervo da Revista que apresenta trabalhos qualitativos e que articulam dados estatísticos e aprofundamento compreensivo dos problemas.
 
No segundo editorial ‘25 anos de compromisso com a ciência e a saúde coletiva!’, a presidente da Abrasco, Gulnar Azevedo e Silva, rememora os 40 anos da Abrasco, em 2019. A data foi comemorada na abertura do 8º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, em João Pessoa com a presença de 11 dos nossos 16 presidentes e de quatro secretários executivos. Relembramos a nossa história marcada pela trajetória de lutas pela diminuição das desigualdades sociais e para assegurar o direito universal à saúde a todas e todos os brasileiros. Não poderia ter sido mais emblemático o fato dessa comemoração acontecer na Paraíba, capital de um importante estado do Nordeste, região que tem se destacado pela força de resistência a todo o contexto de adversidade política que nosso país vem sofrendo por parte de um regime de austeridade e desmonte de políticas sociais conquistadas e construídas com muito trabalho e dedicação.

Ela prossegue: “A Abrasco nasceu com o compromisso de fortalecer o campo da saúde coletiva, se engajando firmemente na construção e no apoio aos programas de pós-graduação lato sensu e stricto sensu em todas as regiões do país. A partir de 2010 também foi incluída em nossas causas a defesa dos cursos de graduação na área.”

Neste ano em que a C&SC comemora seus 25 anos, o mundo vem sendo acometido pela pandemia de COVID-19. Mais uma vez a revista respondeu à sua missão e desde o mês de junho publicou três números especiais (dois suplementos e uma edição) sobre o tema. Foram mais de 50 artigos que mostraram a importância da nossa área no enfrentamento desta crise sanitária que é a mais grave do século.

Infelizmente, as consequências da pandemia no país têm tomado dimensões alarmantes e, no contexto de tão grave crise institucional e política em que se encontra o país, o quadro é muito preocupante. “Temos, contudo, certeza de que estamos exercendo nosso papel ao difundir informação científica que incentiva o diálogo de nossa comunidade e a comunicação com a população”, finaliza Gulnar.

Vários pesquisadores da ENSP colaboraram com artigos. 

O poder de fazer história divulgando ciência, de Maria Cecília de Souza Minayo, conta a história da criação, do desenvolvimento e do status atual da Revista Ciência & Saúde Coletiva sob a perspectiva de quem foi responsável pela sua criação. O objetivo é contribuir para a construção da memória de um periódico nacional, suas possibilidades e limitações. 

Produção de conhecimento em política, planejamento e gestão na Revista Ciência & Saúde Coletiva, de Cristiani Vieira Machado, Luciana Dias de Lima, Aylene Bousquat, Marcus Vinicius Pereira-Silva, Daniela Rangel Affonso Fernandes, Elizabeth Artmann, Ana Luiza D’Avila Viana, e Sheyla Maria Lemos Lima, analisa a dinâmica da produção de conhecimento em Planejamento e Gestão em Saúde (PPG), na revista Ciência & Saúde Coletiva (C&SC), de 1996 a 2019. Conclui-se que a área de PPG se destaca na revista C&SC, periódico que expressa o vigor do campo da Saúde Coletiva na produção de conhecimento científico relevante para o SUS e para a saúde da população.

A Saúde e Ambiente nos 25 anos da Ciência & Saúde Coletiva, de Nelson Gouveia, Lia Giraldo da Silva, Fernando Ferreira Carneiro, Guilherme Franco Netto, Marla Kuhn, Ary Miranda, Hermano Castro, Volney de Magalhães Câmara, e Anamaria Testa Tambellini, analisa os artigos publicados sobre essa temática ao longo dos últimos 25 anos. A produção é bastante variada, destacando-se discussões sobre desigualdades, vulnerabilidades, desenvolvimento ou aspectos econômicos ligados a questões ambientais e seus impactos na saúde, a análise do sistema produtivo e sua relação com a saúde e o predomínio dos estudos sobre agrotóxicos. Conclui-se que a produção nesse campo vem crescendo e com tendência a incluir territórios, populações e comunidades afetadas no processo de produção desse conhecimento.

Atenção primária à saúde nos 25 anos da Revista Ciência & Saúde Coletiva, de Aylene Bousquat, Maria Guadalupe Medina, Maria Helena Magalhães de Mendonça, Patty Fidelis de Almeida, Rosana Aquino, Alaneir de Fátima dos Santos, e Ligia Giovanella, examina a produção sobre APS divulgada nos primeiros 25 anos da Revista Ciência & Saúde Coletiva (C&SC). Os três temas que predominaram foram: o modelo assistencial, o desempenho ou efetividade da APS e o processo de trabalho. O perfil encontrado dialoga com a rica e diversa experiência da APS brasileira, no entanto permanece o desafio de incorporar análises mais amplas. Os artigos publicados evidenciaram os debates e contribuíram para a reflexão e a divulgação da experiência da APS brasileira, que foi e é central para a construção do Sistema Único de Saúde.

Contribuição da literatura sobre a temática violência e saúde nos 25 anos da Ciência & Saúde Coletiva, de Edinilsa Ramos de Souza, Liana Wernersbach Pinto, Kathie Njaine, e Adriano da Silva, identificou que a revista deu visibilidade à temática, destacando-se dos demais periódicos a partir de 2009. Causas externas, grupo de crianças e adolescentes, estudos quantitativos, com abrangência municipal e nacional e instituições localizadas na região Sudeste preponderaram. Há lacunas de temas relevantes como automutilação, populações vulneráveis, entre outros, sobre os quais se deveriam incentivar estudos e publicações.

O tema da adolescência na saúde coletiva - revisitando 25 anos de publicações, de Simone Gonçalves de Assis, Joviana Quintes Avanci, e Fernanda Serpeloni, aborda o desenvolvimento do conhecimento científico sobre a adolescência expresso em publicações dos anos de 1996 a 2020 da revista Revista Ciência & Saúde Coletiva (C&SC). Os resultados mostram que grande parte volta-se exclusivamente para a adolescência e em menor quantidade infância ou vida adulta. Constata-se a necessidade de atenção especial para a saúde dos adolescentes, que precisa estar refletida na produção acadêmica nacional, visando o conhecimento sistêmico, complexo e que se volte para a promoção à saúde dos adolescentes, acompanhando as normativas e leis nacionais existentes.
 
Uma proposta de ontologia para a Assistência Farmacêutica a partir das páginas da Revista Ciência & Saúde Coletiva, de Claudia Garcia Serpa Osorio-de-Castro, Tatiana de Jesus Nascimento Ferreira, Mario Jorge Sobreira da Silva, Elaine Silva Miranda, Cristiane Roberta dos Santos Teodoro, Elaine Lazzaroni Moraes, Elisangela da Costa Lima, e Cláudia Du Bocage Santos-Pinto, investiga a evolução da AF como campo na Revista Ciência & Saúde Coletiva. Os temas principais foram Utilização de Medicamentos, Gestão e Temas Tangenciais ao Ciclo da AF. A partir da classificação foi elaborada uma ontologia própria da AF. O campo reúne política pública a atividades gerenciais e de cuidados em saúde à população. Espera-se que essa variada gama de interrelações venha a se expressar cada vez mais na publicação científica.

Confira todos os artigos temáticos da revista aqui
 

Fonte: Revista Ciência & Saúde Coletiva
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