Fiocruz participa de sessão sobre vacinas da Comissão Mista para Covid-19
Os presentes concordaram sobre a importância e a urgência dos projetos e parcerias em desenvolvimento no país. Apesar de demonstrarem confiança em uma ou mais vacinas para o próximo ano, eles apontaram alguns pontos de atenção que precisam ser olhados com cuidado na elaboração de uma estratégia de vacinação. Entre eles, a necessidade de uma comunicação clara com a população e da necessidade de se estabelecer grupos prioritários para vacinação.
“Temos muita urgência, mas precisamos aguardar os resultados. Qual será a eficácia de uma vacina aprovada? Normalmente, o padrão da Anvisa é 70% ou mais, mas esses critérios foram diminuídos pela urgência e a necessidade. Não queremos passar a impressão de uma vacina que funciona de fato para população”, afirmou o presidente da SBI e também pesquisador da Fiocruz, Ricardo Gazzinelli, explicando que a aprovação de uma vacina não significa o fim da pandemia e da necessidade de outras medidas para contenção do vírus.
A Coordenadora Geral Substituta do Programa Nacional de Imunizações, Adriana Regina Farias Pontes Lucena, apresentou o trabalho que uma comissão de diversas instituições, entre elas o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos-Fiocruz) e o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS-Fiocruz), está desenvolvendo para montar um plano operacional. Ela esclareceu que as estratégias sendo elaboradas levarão em conta os resultados dos ensaios clínicos, como eficácia e segurança das vacinas em diferentes grupos, e características epidemiológicas e clínicas e dinâmica de transmissão do vírus. Além disso, Lucena reforçou que o objetivo principal da vacina é reduzir a mortalidade e a morbidade causadas pela Covid-19.
Projetos em desenvolvimento no Brasil
Após as apresentações da SBI, da Abrasco e do PNI, os três institutos de pesquisa e produção com acordos de transferência de tecnologia e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizaram sobre os projetos em curso no Brasil. A Tecpar apresentou sua parceria com o Fundo Russo de Desenvolvimento e instituto Gamaleya para a vacina Sputnik V, a Fiocruz apresentou seu projeto de transferência tecnológica a partir de acordo com a AstraZeneca e o Instituto Butantan apresentou os termos e o andamento da vacina Coronavac, desenvolvida em parceira com a farmacêutica chinesa Sinovac. Eles reforçaram a importância estratégica das instituições ali representadas e de seu histórico de colaboração para o país. Além disso, esclareceram que o processo de transferência tecnológica irá ampliar as plantas para vacina no Brasil, ampliando a capacidade nacional de produção.
Ao apresentar a atuação da Fiocruz no campo das vacinas, Marco Krieger reforçou a necessidade de ser ter responsabilidade em relação ao tema. “Estamos acelerando algumas fases, mas essa aceleração não pode estar descolada da segurança”, afirmou.
Segundo o vice-presidente, a Fiocruz avaliou, desde março, as diferentes vacinas que estavam em desenvolvimento. A partir da sua matriz de avaliação, que considerou fase de desenvolvimento, resultados preliminares, capacidade de produção e infraestrutura pré-existentes, a vacina sendo desenvolvido pela Universidade de Oxford foi escolhida para um acordo de transferência tecnológica, assinado em setembro. Os dados clínicos das fase 1 e 2 para a vacina foram promissores, com duas doses se mostrando mais eficazes. Além disso, ela foi a primeira a entrar na fase 3, que ainda está em curso. Krieger reforçou que esta vacina estava em uma fase avançada por usar uma plataforma pré-existente que já havia sido utilizada para o desenvolvimento rápido de outras vacinas, inclusive um outro coronavírus, com bons resultados. “É um projeto que já tinha uma bagagem”, resumiu.
De acordo com o representante da Fiocruz, o cronograma previsto está se mantendo e a previsão é de que em novembro seja possível ter os resultados para um registro emergencial. Segundo ele, depois desse registro, normalmente se espera um ano para a aprovação final, mas excepcionalmente este tempo deve ser reduzido. Sendo assim, a produção do primeiro lote para aprovação final deve acontecer em dezembro e a aprovação junto à Anvisa deve ocorrer em janeiro. Com as primeiras entregas para o Ministério previstas para fevereiro. Ele reforçou que o acordo possui preço de custo de US$ 3,16 por doses, com mais de 200 milhões de doses sendo produzidas no Brasil já em 2021, dentro do PNI.
Último a se apresentar, Juvenal de Souza Brasil Neto representou a Anvisa e afirmou que os prazos apresentados até o momento ele são previsões, não uma garantia. “Tudo depende do andamento dos estudos”, explicou, ao esclarecer que a Agencia sobre o modelo de submissão contínua adotado. Até o momento, quatro estudos clínicos já foram aprovados pela Anvisa e estão em andamento no país e dois projetos de transferência tecnológica já deram entrada em seu processo de aprovação, o da Fiocruz-AstraZeneca e o do Butantan-Sinovac.
Fonte: Portal Fiocruz
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