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Painel orienta profissionais da saúde sobre testes para covid-19

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Publicado em:20/08/2020
Tendo como público-alvo profissionais de unidades assistenciais da Ensp, o painel buscou trazer orientações técnicas sobre a testagem para detecção do vírus Sars-Cov2 (covid-19). Realizado em 30 de julho em Sala Aberta da plataforma Teams, o evento contou com cerca de 80 participantes. 
 
As principais dúvidas eram sobre a precisão dos testes, os encaminhamentos dos pacientes testados e o rastreamento de contatos. Marilda Siqueira, chefe do laboratório de Vírus Respiratório e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), reforçou que existem duas linhas de testes: os testes sorológicos e o molecular (RT-PCR). O teste sorológico não tem finalidade diagnóstica e detecta os anticorpos chamados imunoglobulinas IgG e IgM - e às vezes IgA. O teste rápido é um teste dessa natureza, feito pelo método de imunocromatografia, a partir da coleta de sangue do dedo do paciente. Ele dá resultado em cerca de 30 minutos, mas apresenta sensibilidade menor do que outros métodos como quimioluminescência ou o método enzimático conhecido como ELISA. 
 
A orientação prática, segundo a pesquisadora da Ensp Margareth Dalcolmo, integrante das Comissões Científicas da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e de Infectologia é: sempre que houver suspeita de infecção (pessoa que teve contato com doente ou com alguém testado positivo), o indivíduo deve realizar o teste RT-PCR. 
 
Margareth esclareceu que o teste sorológico para Covid-19 tem duas indicações: o primeiro caso é em inquéritos sorológicos, para um determinar a taxa de soroprevalência, compondo o mosaico de diagnóstico de uma população; o segundo caso é o da pessoa que ficou doente (diagnosticada clinicamente, pelos sintomas, ou testou positivo antes, duas semanas depois de ter ficado negativa no PCR - ou seja, no trigésimo dia (D30) de evolução da doença -, para saber se a pessoa produziu anticorpos contra o vírus. “Existem muitos kits de testes sorológicos sendo vendidos e muitos laboratórios lucrando muito, e alguns têm sensibilidade muito baixa”, criticou a médica. 
 
O teste sorológico é indicado para fins de estudos populacionais, enquanto que o teste recomendado pela OMS para diagnóstico individual de covid-19 é o RT-PCR. “O Ministério da Saúde divulga e notifica todos os tipos de teste”, lembrou também Margareth. “Os marcadores sorológicos de Covid precisam ser mais estudados para que os testes apresentem sensibilidade maior, uma vez que ocorre uma baixa produção de anticorpos no início da infecção”, acrescentou Marilda. 
 
O Inquérito Sorológico da Fiocruz, cujos testes usados foram validados por Biomanguinhos, com um grau bom de sensibilidade e especificidade, é o estudo que a instituição vem desenvolvendo para detectar a taxa de soroprevalência entre seus trabalhadores. Será realizado em três fases, tendo como público-alvo profissionais de áreas essenciais que estejam em regime de trabalho presencial e semi-presencial. 
 
Padrão ouro   
 
O teste RT-PCR é o “padrão ouro”, por ser o mais acurado, é feito por meio de coleta de secreção de nasofaringe ou orofaringe usando um swab (espécie de cotonete) e detecta a presença de material genético do vírus presente no organismo no momento da coleta. Esse teste, como esclareceram as pesquisadoras, é o recomendado pela OMS. “Falso positivo de teste PCR é muito difícil”, apontou Marilda. A pesquisadora lembrou que os testes PCR não quantificam carga viral: “os testes PCR são qualitativos na maioria. Só dão resultado negativo ou positivo. Existe um dado, o chamado CT (Cycle Threshold), que dá indícios da maior dificuldade ou facilidade de detecção do vírus, mas esse dado não é divulgado no resultado final”, esclareceu. “Em alguns casos, observamos que seria possível falar em resultado inconclusivo, caso o CT seja muito alto, mas nenhum teste comercial dá inconclusivo. Por isso uma pessoa dá detectável e depois de meses ela dá de novo, e é dito que ela se reinfectou. Isso ainda está sendo discutido”, observou. “Quando falamos em covid-19 é importante mencionar que é o que sabemos até o momento”, destacou.
                                                                                                                                                        
 
Os diferentes tipos de testes apresentam momentos ideais no decurso natural da doença para apresentarem resultado mais preciso. “A probabilidade de termos um teste sorológico positivo é maior após uma semana ou 15 dias de início dos sintomas”, observou Marilda. O teste RT-PCR apresenta uma janela maior mas, como observou Margareth, são observadas algumas vezes exceções, em casos tardios em que o exame resulta positivo, mas não necessariamente quer dizer que a pessoa ainda está infectada. “O PCR dar resultado positivo após semanas do término dos sintomas pode significar que o organismo está se ´limpando´, eliminando o vírus”, mencionou, ressaltando que ainda há lacunas de conhecimento sobre o tempo de excreção do vírus do organismo. 
 
Se, de um modo geral, o PCR não apresenta falso positivo, uma dúvida que se apresentou foi sobre a transmissão. “Todos aqueles que apresentam PCR positivo são capazes de transmitir o vírus?” “Existem estudos que mostram que não necessariamente significam partículas infectivas. Podem se tratar desse “clearance” (limpeza, eliminação) que o organismo faz do vírus, especialmente as detecções após um mês de aparecimento de sintomas”, respondeu Margareth.
 
A pesquisadora apontou que, nos países que fizeram o rastreamento de todos os casos suspeitos de forma bem-sucedida, Nova Zelândia e Coreia do Sul, cada caso positivo de RT-PCR ou cada pessoa sintomática gerava controle de contatos. Cada um dos contatos era testado por meio RT-PCR, observando caso a caso quando coletar a amostra. “O paciente PCR positivo oligossintomático [aqueles que quase não têm sintomas] ou assintomático é portador de Covid-19. Deve haver correlação entre carga viral e gravidade dos sintomas, mas ele pode transmitir o vírus”.  
 
 
O diretor da Ensp, Hermano Castro, demonstrou preocupação com o uso de testes como “passaporte”, para reabertura de escolas ou para a liberação de trabalhadores para a atividade laboral, independente dos cuidados com a segurança do ambiente. “O teste não deve ser ´passaporte imunológico´, não pode ser esta a orientação”, declarou. “O Brasil é um dos países que menos testou a sua população. Como fazer um rastreamento do entorno de pessoas com sintomas se essa pessoa está circulando normalmente? Qual é o tamanho do entorno?”, questionou ele. 
 
As discussões sobre saúde dos trabalhadores durante a pandemia estiveram presentes durante o painel. A recomendação geral é de isolamento por 14 dias para os que testarem positivo. Alguns países estabeleceram valores fixos em dias também para os trabalhadores que testaram positivo retornarem às atividades normais após o isolamento. Trabalhadores e seus familiares e colegas de trabalho devem ser orientados a procurarem testagem. Quando questionada por uma profissional da assistência que participava do evento sobre a possibilidade de sigilo do resultado de teste para covid, Margareth esclareceu que em situação de pandemia, é fundamental o rastreamento dos familiares e contatos do paciente positivo para covid-19.
 

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