ENSP discute importância do sistema de avaliação ética de pesquisas no contexto da pandemia
Há vinte anos, o Brasil conta com um reconhecido sistema de avaliação ética de pesquisas envolvendo seres humanos, chamado Sistema CEP-Conep. A importância dessa ferramenta na garantia dos preceitos éticos no contexto da pandemia foi tema de debate on-line, promovido pelo Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos da ENSP (Ceensp) no dia 13 de julho. Transmitida pelo Canal do Youtube da Escola, a atividade teve a participação de 100 espectadores e contou com 366 visualizações. O evento foi moderado por Jennifer Brasthen, coordenadora do Comitê Ético de Pesquisa (Cep) da Fiocruz, e Laura Viana, da Vice-Direção de Pesquisa da Escola.
Ao dar início ao debate, o coordenador do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), Jorge Venâncio, lembrou que a primeira ação do Conep frente à pandemia surgiu no dia seguinte ao anúncio de situação de emergência internacional decretado pela Organização Mundial da Saúde. “No Conselho, nós discutimos e decidimos estabelecer uma situação diferenciada em relação aos Protocolos de Pesquisa de enfrentamento ao novo coronavírus. Assim, centralizamos os conjuntos dos projetos no Conep, de forma a estabelecer maior rapidez em sua autorização, além de um padrão de análise centralizado”, afirmou. Venâncio contou que foram instauradas câmeras virtuais com sistema rápido de análise, que dura, em média, sete dias. O coordenador também elogiou a reação participativa da comunidade científica. “Tínhamos, no Conep, cerca de 300 tramitações mensais. No mês de junho deste ano, tivemos aproximadamente 800”, destacou.
grande de pesquisas do exterior, nas quais a participação dos pesquisadores brasileiros, em geral, era fazer o recrutamento de participantes e relatos das consequências dos testes. Na situação atual, esse quadro se reverteu. No último dia 25, por exemplo, foram apresentados 119 ensaios clínicos, dos quais 109 eram inciativas de pesquisadores brasileiros”, ressaltou. Ainda de acordo com o coordenador, os resultados revelam um potencial de pesquisadores brasileiros que não estava sendo antes explorado, possivelmente em função da dificuldade de financiamento de pesquisas.
Margareth alertou para a necessidade de revisão da formatação dos Termos de Consentimento Livres Esclarecidos (TCLEs), que são licenças necessárias para a aprovação de qualquer pesquisa. De acordo com a pesquisadora, é preciso adaptar os termos à cultura brasileira e aos pacientes que o leem. “Os TCLEs, sobretudo de estudos internacionais, são traduzidos e possuem quase 30 páginas, as quais precisam ser lidas junto com o paciente e nem sempre esclarecem sobre seus direitos”, alertou.



