Aumenta em 10% a incidência de TB em indígenas

“Chama atenção a elevada proporção de casos entre crianças indígenas menores de 10 anos em todas as macrorregiões, sendo proporcionalmente até 6 vezes maior, quando comparado ao adoecimento de crianças das outras categorias de raça/cor.
O adoecimento por TB em crianças é um indicador de transmissão ativa na comunidade, decorrente de contato com adultos bacilíferos, e sugere a existência de falhas na vigilância dos contatos nas aldeias”, aponta o aluno.
Segundo dados do Inquérito Nacional de Saúde Indígena, realizado em 123 aldeias do país entre 2008-2009, mais de 40% das crianças indígenas apresentavam cronicamente desnutridas e mais da metade sofria de anemia.
Quanto à escolaridade, a pesquisa observou que os indígenas apresentaram o maior percentual de analfabetismo (16%). No que diz respeito à procedência das notificações, 66,3% eram da zona urbana. A forma clínica pulmonar foi a mais frequente, ficando em 82,3%, em todas as categorias.
De acordo com Viana, houve predomínio de cura em todas as categorias de raça/cor, sendo que os percentuais mais elevados foram registrados entre os indígenas (76,8%). “Os maiores percentuais de óbitos por TB foram entre os negros (3,4%). Nas baciloscopias de controle, os brancos apresentaram maiores percentuais de positividade no 2º e 4º mês (5,3% e 1,1%, respectivamente), já os amarelos no 6º mês (0,7%).”
A distribuição das notificações, por macrorregiões, revelou a pesquisa, indica que 129.573 casos (46,5%) eram provenientes da região Sudeste, 76.035 (27,3%) da região Nordeste, 33.926 (12,2%) da região Sul, 26.773 (9,6%) da região Norte e apenas 12.367 (4,4%) da região Centro-Oeste.
Na opinião do aluno, para a elaboração de estratégias efetivas, as autoridades brasileiras devem desenvolver estratégias de controle da TB específicas, considerando as diferenças de cada grupo específico, com foco nos doentes de raça/cor indígenas e negros, abordando os determinantes sociais de saúde nestes grupos.
Sobre o autor
Paulo Victor de Sousa Viana possui graduação em Enfermagem pela Universidade de Federal do Amazonas (2010). Atuou como professor substituto de graduação pela Escola de Enfermagem de Manaus UFAM, em 2011. Atualmente, cursa o doutorado em Epidemiologia em Saúde Pública pela ENSP.
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