Filosofia e história das ciências na abertura da Raic 2012
"Iniciação científica é a porta de entrada para a carreira do pesquisador. De certa maneira, pode ser mais importante do que a faculdade, porque, na iniciação científica, o estudante exerce sua imaginação." Com essa afirmação, o professor do Instituto de Medicina Social da Uerj Kenneth Rochel de Camargo Jr. abriu a Reunião Anual de Iniciação Científica (Raic 2012) da ENSP, em 15 de outubro. Em sua exposição, Kenneth traçou um panorama da evolução do pensamento científico ao longo da história. Confira, na Biblioteca Multimídia da ENSP, o áudio e a apresentação do evento.
O expositor ressaltou que fazer a história da ciência sem conversar com a filosofia é tão inútil quanto fazer uma filosofia da ciência sem conversar com a história, porque uma não sobrevive sem a outra. Em seguida, desenvolveu sua afirmação por meio da ótica de diferentes cientistas e pesquisadores, da Idade Média aos dias de hoje, como Galileu Galilei, David Hume, William Thomson, Albert Einstein, Niels Bohr e Karl Popper.
Kenneth comentou O Círculo de Viena, um grupo de filósofos reunidos à volta da figura de Moritz Schlick. Organizado informalmente em Viena antes da Primeira Guerra Mundial, o sistema filosófico do grupo ficou conhecido como o positivismo lógico. Em contrapartida a essa linha, o pesquisador apresentou o falsificacionismo de Karl Popper. Segundo esse conceito, para uma asserção ser refutável ou falseável, em princípio será possível fazer uma observação ou fazer uma experiência física que tente mostrar que essa asserção é falsa. As teorias científicas são propostas como hipóteses e são substituídas por novas hipóteses quando são falsificadas.
“Ciência não é reproduzir a realidade da melhor forma possível. O cientista deve indagar a si mesmo se o modelo que está fazendo é consistente, se consegue dar conta do que ele quer explicar e, sobretudo, se é útil. E, também, se, ao usar esse modelo, conseguirá produzir outros modelos que farão aquilo que ele quer”, afirmou. Kenneth destacou que o papel do cientista é sempre fazer perguntas e apresentar a ciência da forma mais inteligível para as pessoas.
Sobre a produção científica atual, Kenneth destacou que 99% das pesquisas científicas realizadas no Brasil são feitas com dinheiro público. Desse modo, salientou, sua divulgação é uma forma de prestação de contas para a sociedade. “Publicar desde cedo é fundamental. A ciência existe por conta do diálogo entre os pares e, por isso, a publicação tem um papel fundamental para a troca de ideias”, concluiu.
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