Mutações associadas à resistência à etionamida em debate
O Centro de Referência Professor Hélio Fraga/ENSP promoveu um amplo debate no intuito de discutir os resultados de um estudo apresentado pela pesquisadora do laboratório de bacteriologia do Hélio Fraga, Teca Calcagno Galvão, cujo tema foi a Identificação e caracterização de mutações associadas à resistência à etionamida. A atividade aconteceu no dia 26 de junho.
Segundo a pesquisadora, a etionamida é um antibiótico que vem sendo usado no tratamento da tuberculose desde 1966, na clínica, e o número de estudos sobre as vias de resistência a esse fármaco ainda é limitado. É eficaz contra microrganismos do gênero Mycobacterium, especialmente as espécies M. tuberculosis e M. leprae e exerce ação tuberculostática e anti-hanseniana, respectivamente. O fármaco também possui ação contra Mycobacterium avium em infecções micobacterianas atípicas.
Existem poucos estudos mapeando a epidemiologia molecular envolvendo a etionamida. Somente cinco pesquisas descrevem o sequenciamento de ethA (codifica a enzima ativadora da etionamida) em cepas resistentes (DeBarber et al., 2000; Morlock et al., 2003; Boonaiam et al., 2009; Leung et al., 2010 e Brossier et al., 2011).
O impacto fenotípico de mutação em ethA foi parcialmente mapeado por Morlock e outros pesquisadores em 2003, quando documentaram as MICs de cepas ETHr. Dos 38 isolados ETHr, 39,5% apresentaram mutação em ethA e têm MIC acima de 25ug/ml. Sendo assim, percebemos um numero significativo de isolados cuja resistência a ETH é, provavelmente, produto de mutação do gene ethA de Mycobacterium tuberculosis, e o uso potencial deles como preditor de ETHr; no entanto, não esta consolidado. De 63 isolados com mutação em ethA, 9 eram prováveis ETHs (Leung et al., 2010).
De acordo com Teca, juntamente com ethA se encontra o gene ethR, que tem a função de codificar um repressor transcricional tipo TetR. A superexpressão de ethR resulta em hiperresistência à etionamida, implicando esse gene no processo de resistência a esse fármaco. Observou-se uma mutação em ethR em um isolado clínico de M. tuberculosis resistente à etionamida, mas não apresentou mutação em ethA.
“Nesse contexto, estamos sequenciando o loco ethA::ethR em isolados clínicos de M. tuberculosis, visando a uma comparação entre resultados de teste de sensibilidade à etionamida e a presença/ausência de mutação nesses genes. Adicionalmente, visamos analisar o possível papel de ethR como gene de resistência”, finalizou a pesquisadora.
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