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Crise e saúde mental na adolescência é tema de artigo do 'Cadernos de Saúde Pública'

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Publicado em:27/03/2019
Crise e saúde mental na adolescência é tema de artigo do 'Cadernos de Saúde Pública'A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indica o suicídio como a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos em nível mundial. Um estudo publicado pelo Cadernos de Saúde Pública identificou a trajetória percorrida pelos adolescentes em busca de cuidados, e aponta que as relações violentas entre pares e familiares próximos contribuíram para o sofrimento psíquico vivenciado pelos adolescentes. No Brasil, ao longo da história, relata o artigo Crise e saúde mental na adolescência: a história sob a ótica de quem vive, ações de cuidado em saúde mental voltadas a crianças e adolescentes são omissas, excludentes e a assistência é fortemente marcada pela institucionalização. “Embora estudos relacionados à saúde mental infantojuvenil tenham tido um crescimento após a instituição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e dos Centros de Atenção Psicossociais Infantojuvenis (CAPSij), eles ainda são incipientes considerando-se, especialmente, a população adolescente.”
 
Segundo o artigo, de autoria de Lívia Martins Rossi, Taís Quevedo Marcolino, Marina Speranza e Maria Fernanda Barboza Cid, nas histórias narradas foi possível observar a descrição clara de sensações de desespero, confusão mental, angústia, sentimento de inferioridade, baixa autoestima, medo e descontrole, bem como de comportamentos impulsivos, disparados por tais sensações desconfortáveis, atrelados, muitas vezes, a pensamentos relacionados à morte.
 
Participaram da pesquisa quatro meninos e uma menina, e todos os adolescentes cursam o Ensino Médio. Dos três jovens que exerciam (ou já haviam exercido) trabalho remunerado, o faziam por meio de uma instituição profissionalizante do município. Os resultados da pesquisa indicaram que a vivência da crise é atrelada, principalmente, a sentimentos intensos de angústia, tristeza e desvalia, ideação e tentativa de suicídio - vivenciados como um problema individual; as relações entre pares e familiares desencadeadoras dos processos de crise acontecem quando permeadas por diferentes tipos de violência, e como suporte emocional e social, quando imersas em relações de confiança; a trajetória predominante de acesso ao cuidado aconteceu centrada em pontos da Rede de Atenção Psicossocial e não houve relato de internação; e as dificuldades no cuidado assentaram-se na adesão ao tratamento, participação em espaços coletivos de cuidado e resistências à medicação. 
 
Os autores do artigo acreditam que estudos dessa natureza oferecem elementos importantes para compreender as perspectivas dos adolescentes, bem como da atenção oferecida, além de subsidiar avaliações de intervenções e promover a reflexão para o planejamento de políticas públicas mais efetivas, valorizadoras de práticas de cuidado que promovam a participação e a saúde mental dos adolescentes em espaços de criação e instauração de projetos de vida. “Além disso, os estudos nessa temática correm o risco de permanecerem atrelados aos diagnósticos psiquiátricos e ao cuidado individualizante, sem dialogar com os diversos fenômenos sociais nos quais os adolescentes contemporâneos estão inseridos”, de acordo com o artigo. 
 
Para os pesquisadores, a vivência da crise como uma complexa situação existencial deveria demandar dos serviços especificidades para a ampliação do contato e diminuição dos tempos de latência, no sentido de tornar a intervenção mais precoce, considerando, inclusive que, para crianças e adolescentes, as situações de emergência psiquiátrica são definidas sempre por outros, possibilitando uma infinidade de julgamentos com relação a cada caso.
 
Por fim, o artigo chama a atenção para os danos que a crise em saúde mental pode repercutir no indivíduo e nas pessoas ao seu redor, constituindo um importante risco ao desenvolvimento e até mesmo à vida, sendo necessária a intervenção imediata. “Entretanto, nota-se que a idade do surgimento dos sintomas nem sempre coincide com a idade do primeiro contato com os serviços de saúde, situação em que provavelmente mais de um episódio já tenha ocorrido.”
 
O artigo Crise e saúde mental na adolescência: a história sob a ótica de quem vive, de Lívia Martins Rossi, Taís Quevedo Marcolino, Marina Speranza e Maria Fernanda Barboza Cid, foi publicado no Cadernos de Saúde Pública de março de 2019.
 

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