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Vacina BCG completa 100 anos protegendo as crianças da tuberculose

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Publicado em:14/09/2021

Imunizante eficaz, a vacina BCG deixa uma marquinha no braço. Tudo começou há 100 anos em um laboratório na França, onde Albert Calmette e Camille Guérin conseguiram atenuar o bacilo Mycobacterium bovis, causador da tuberculose bovina, desenvolveram o estudo sobre o bacilo e criaram o imunizante que até hoje protege os recém-nascidos contra a tuberculose: a vacina do Bacilo Calmette-Guérin (ou BCG). Se espalhou pelo mundo e comemora, em 2021, o seu centenário. No Brasil, a vacina é produzida a partir da cepa Moreau RJ, considerada uma das mais imunogênicas e com menor índice de reação em relação a outras cepas de BCG. Confira a matéria da Radis.

O Informe ENSP também publicou matéria sobre a vacina.
                                                                                            
                            
Moniqui Frazão*    
                             
Se hoje a maioria das crianças tem uma marquinha no braço, nem sempre foi assim. Tudo começou há 100 anos em um laboratório na França. Foi no Instituto Pasteur de Lille que Albert Calmette e Camille Guérin, depois de 13 anos de trabalho, conseguiram atenuar o bacilo Mycobacterium bovis, causador da tuberculose bovina. Os cientistas desenvolveram o estudo sobre o bacilo que carrega o nome deles e criaram, a partir dele, o imunizante que até hoje protege os recém-nascidos contra a tuberculose: a vacina do Bacilo Calmette-Guérin (ou BCG) um imunizante que se espalhou pelo mundo e que comemora, em 2021, o seu centenário. Durante o Seminário Internacional “Sociedade, política e ciência: o centenário da vacina BCG, 1921 — 2021”, promovido pela Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), em julho, o diretor científico da Fundação Ataulpho de Paiva (FAP), Luiz Roberto Castello-Branco, destacou o protagonismo desses personagens na criação de uma das mais importantes vacinas adotadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). “Eles pegaram um bacilo causador da tuberculose bovina e fizeram passagens seguidas durante 13 anos para que ele perdesse a sua virulência, quer dizer, para que ele se tornasse menos ou não causador de doença, mas fizesse uma proteção, que era um princípio descrito por Pasteur”, explicou.


Calmette e Guérin fizeram algo extraordinário na época, destaca Castello-Branco. “Quando eles conseguiram, difundiram a vacina para o mundo sem qualquer custo. Como na maioria dos países existiam os serviços soroterápicos, eles repassaram a vacina para esses serviços”, contou. Por esse motivo, pontuou o diretor, a BCG é tão variada hoje em dia. “Em 1921, eles chegaram a aplicar a vacina que tinham descoberto em crianças no hospital infantil de Paris; em 1924, comunicaram à Academia Francesa de Medicina; e em 1925, a vacina chegou ao Brasil”, descreve à Radis Dilene Raimundo do Nascimento, médica, doutora em História Social e docente do programa de História da Saúde e das Doenças da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz).