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Revista 'Ciência e Saúde Coletiva' vai lançar número temático sobre saúde mental

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Publicado em:16/09/2020

O movimento da Reforma Psiquiátrica Brasileira, iniciado na década de 1970, ganhou força ao longo da década de 1980 em meio ao processo de redemocratização do país e da Reforma Sanitária que originou o Sistema Único de Saúde (SUS). A participação social de trabalhadores de saúde, usuários, familiares, pesquisadores, imprensa e outros atores sociais do campo da Saúde Mental/Políticas Públicas foi estratégica ao denunciar a violência dos hospitais psiquiátricos e a mercantilização do sofrimento psíquico pela “indústria da loucura”. Segundo o pesquisador da ENSP, Paulo Amarante, a Lei nº 10.216/2001, conquista destes movimentos, é considerada o marco legal da reforma psiquiátrica brasileira por assegurar os direitos civis e humanos das pessoas em sofrimento mental, bem como garantir o cuidado comunitário. As normativas produzidas na década seguinte à publicação da Lei expressam os princípios da desinstitucionalização, objetivando transformações sociais a partir da prática clínica e da vida em liberdade. A revista Ciência & Saúde Coletiva lança uma chamada para edição especial sobre o direito à cidade-casa e a apropriação de condições de cidadania das pessoas que vivem com sofrimento psíquico. 04/08/2020 até dia 31/10/2020. Os artigos deverão ser enviados, até 31/10/20, para o e-mail nucleoatencaopsisocial@gmail.com.


Esta edição temática, ao enfocar os desafios do “morar em liberdade” como direito à cidade, busca potencializar as reflexões científicas reveladoras da multiplicidade das experiências locais, privilegiando a leitura interdisciplinar e intersetorial sobre os dispositivos do cuidado em liberdade (Centros de Atenção Psicossocial, Serviços de Residências Terapêuticos, Centros de Convivência e Programa de Volta para Casa) como políticas públicas brasileiras reconhecidas internacionalmente, mas que sofrem ameaças de desestruturação sem precedentes, adensar o quadro crítico sobre os paradigmas de constituição da estrutura do cuidado em liberdade, avanços das políticas públicas, limites, possibilidades e análises avaliativas.


O número temático vai receber textos científicos inéditos de pesquisas em desenvolvimento ou desenvolvidas nos últimos cinco anos


Uma novidade é que, além dos artigos serem disponibilizados em acesso aberto, a edição valorizará a prática de abertura dos dados de pesquisa, ou seja, todos os textos pré-aprovados deverão conter um Plano de Abertura dos Dados da Pesquisa para disponibilizarem os dados nos repositórios indicados pela revista.
 

O número temático será publicado no primeiro semestre de 2021, possivelmente em maio, mês da luta antimanicomial. Os textos podem ser submetidos diretamente no sistema da revista, até o dia 31 de outubro.

 

Confira abaixo os tópicos sugeridos para a publicação:

 
- Teórico-conceituais: o morar/habitar, a cidadania, a contratualidade, a cultura e o direito à cidade no contexto da reforma psiquiátrica;
   

- Experiências no campo do cuidado: as transformações na vida das pessoas com sofrimento mental em sua relação com a cidade decorrentes dos processos de desinstitucionalização;


- Saberes e práticas constituídos: inovações no campo de políticas públicas intersetoriais que promovam a (re)construção de pertença e cidadania na vida comunitária;


- Experiências de reorganização de espaços das cidades e seus resultados, a partir dos dispositivos do cuidado em liberdade;


- Arranjos da atenção psicossocial que promoveram projetos de geração de trabalho e renda, bem como de expressividade artística e cultural;


- Relatos de experiências densas que comunicam potencialidades, estratégias e/ou inovações no campo e que dialogam com o tema da construção do pertencimento cidadão, em contraponto aos estereótipos, estigmas e preconceitos.

 
Clique aqui para saber mais.


 

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