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Estudo revela perda de habitat de minhocas expostas a rejeitos da barragem de Brumadinho

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Publicado em:15/09/2020
Minhocas expostas aos rejeitos da barragem que se rompeu em janeiro de 2019, em Brumadinho (MG), apresentam comportamento de fuga do ambiente contaminado. O fenômeno é apontado em nota técnica produzida no âmbito do Estudo sobre a biota aquática e comunidades ripárias, elaborada pela UniRio, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), com colaboração do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) e o Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) da ENSP.
 
As amostras de solo superficial e de rejeitos da barragem usadas nos experimentos foram coletadas por uma equipe de pesquisadores nos dias 12 e 13 de junho de 2019. Para tanto, utilizados os organismos  de minhocas da espécie Eisenia andrei, bioindicador internacionalmente padronizado para ensaios ecotoxicológicos.
 
“As minhocas prestam um serviço ecossistêmico importante para os seres humanos. O cultivo e a presença desses animais no ambiente terrestre integram o conceito de saúde única, ou seja, você integra a saúde humana à animal para buscar equilíbrio. Se você afeta as minhocas, prejudica o ecossistema e, diretamente, os humanos”, explicou o pesquisador Enrico Saggioro, do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da ENSP/Fiocruz e membro da pesquisa.
 
O teste de fuga, de caráter comportamental, consistiu na exposição das minhocas a duas porções de solo, em um recipiente de dois litros, sendo uma delas composta apenas de solo natural e a outra contendo também rejeitos, em diferentes proporções. O resultado apontou uma taxa de evasão superior a 80% a partir da adição de 37,5% de rejeitos, indicando a perda de habitat das minhocas. “O organismo está se esquivando do local contaminado, e o efeito de fuga tem sido considerado um dos indicadores mais sensíveis na avaliação de ambientes desfavoráveis ao desenvolvimento da biota do solo”, salienta o professor Fabio Veríssimo, do Instituto de Biociências da UniRio e autor principal da nota.
 
Reprodução prejudicada
 
Foram realizados também ensaios para avaliação de efeitos agudos e crônicos da exposição ao material. Embora não se tenha verificado aumento na taxa de letalidade dos animais, observou-se tendência à redução do número de indivíduos juvenis em relação à quantidade de casulos. Segundo o estudo, essa diminuição pode indicar a produção de casulos inviáveis ou ocorrência de condições ambientais inadequadas à eclosão e à sobrevivência de jovens indivíduos.
 
De acordo com Veríssimo, a próxima fase da pesquisa se voltará para a investigação dos efeitos subletais. “As minhocas serão expostas por período mais prolongado, sob concentrações mais baixas do rejeito que não promovam a fuga dos organismos, em que o efeito do contato contínuo ao solo contaminado será avaliado por análises das enzimas de estresse oxidativo, níveis proteicos, e análise quantitava e qualitativa das células do sistema imune”, revela.
 
Saggioro completou: “Queremos verificar os efeitos de forma mais detalhada nesse organismo essencial para o ambiente terrestre e, consequentemente, para o ecossistema em sua totalidade. As minhocas podem demonstrar uma variedade de efeitos que podem estar acontecendo em virtude dessa exposição.”
 
O estudo é coordenado pelo Núcleo Rogério Valle de Produção Sustentável, do Laboratório de Sistemas Avançados de Gestão de Produção (Sage) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele integra o projeto Impactos ambientais da ruptura da barragem de rejeitos de Brumadinho nos primeiros doze meses após o desastre: avaliação da qualidade da água, de rejeitos, solos e sedimentos e da biota aquática e comunidades ripárias no Rio Paraopeba, conduzido pela Coppe/UFRJ com apoio da Fundação Coppetec e da Vale S/A.
 
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