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Paciente informado: pesquisa ganha visibilidade na mídia

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Publicado em:10/03/2016
Mais uma vez, a pesquisa sobre Paciente Informado, do pesquisador da ENSP e coordenador do Laboratório Internet, Saúde e Sociedade (Laiss), do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/ENSP), André Pereira Neto ganha espaço na mídia. Desta vez, o Blog do Noblat, coluna da Globo.com, sob a responsabilidade do jornalista Ricardo Noblat, foi quem abordou o tema. Com o título Internet: o bom, o ruim e o apavorante, a nota fala sobre o desafio de filtrar e ordenar o turbilhão de informações ao qual temos acesso todos os dias. E citou a pesquisa liderada por André Pereira para ilustrar o tema.
 
Leia a reportagem que foi escrita pela coluna em parceria com a mestranda em ciência política na Universidade de Brasília, Ariadne Santiago: 
 
 
Quando se trata da informação que acessamos pela Internet, o velho refrão “quanto mais, melhor” deixa de ser verdadeiro. Um dos grandes desafios da era digital é justamente filtrar e ordenar o turbilhão de informações ao qual temos acesso todos os dias. Separar o joio do trigo, e o importante do irrelevante.
 
Esse desafio é consideravelmente maior quando tratamos de temas relacionados à saúde, porque os potenciais impactos da informação errada são enormes. E, mais ainda, quando o tema de saúde que nos interessa está permeado de incertezas, e portanto sujeito a todo tipo de boatos e mentiras. É o caso da zika e das informações sobre suas fontes de transmissão e seus impactos na saúde.
 
Rumores Falsos
 
É impressionante a quantidade de rumores falsos que vêm se espalhando pelas mídias sociais sobre o vírus zika, gerando ansiedade e até pânico. Seguem abaixo três exemplos, tirados do Facebook, do Twitter, e de uma gravação que está sendo enviada pelo WhatsApp (veja uma discussão sobre esses boatos aqui):
 
• Vacinas são as verdadeiras causas da microcefalia – FALSO
 
• Sequelas neurológicas graves em crianças de 1 a 7 anos e idosos estão relacionadas à zika – FALSO
 
• A incidência do vírus aumentou após a soltura de mosquitos transgênicos criados em laboratórios de pesquisa – FALSO
 
Para entender melhor como está se dando o debate sobre a doença na Internet, fizemos uma coleta das mensagens no Twitter que usaram os hashtags #zikazero e #zikavirus durante as duas últimas semanas de fevereiro. Enquanto o #zikazero faz parte da campanha do governo brasileiro contra a doença e é utilizado fundamentalmente por brasileiros, o #zikavirus é mundial, e a grande maioria das mensagens está em inglês.
 
Os gráficos abaixo permitem visualizar quais são as contas mais retuitadas e mencionadas pelos usuários dos hashtags #zikavirus e #zikazero, que são aquelas que aparecem nos gráficos como os maiores nós das redes. No caso do #zikazero (gráfico 1), as principais são ligadas ao governo e ao Flamengo (mostrando que a parceria da campanha com esse clube de futebol tem dado certo); no caso do #zikavirus (gráfico 2), as contas cujas mensagens foram mais retuitadas e mencionadas são as de agências da Organização das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde (WHO – World Health Organization).
 
Ou seja, em ambos gráficos as fontes mais citadas são de organizações governamentais ou de organizações empenhadas na campanha contra o vírus, o que é boa notícia. No entanto, as duas redes são altamente dispersas, o que significa que há uma enorme quantidade de outras fontes de informação, sobre as quais não há nenhum controle.
Necessidade de uma Política de Qualidade da Informação
 
Mesmo quando a fonte é oficial, não há garantia de que a informação será apresentada de forma inteligível. É o que mostram os estudos sobre qualidade da informação em sites que vêm sendo realizados pelo Laboratório Internet, Saúde e Sociedade da Fundação Oswaldo Cruz.
 
Por exemplo, uma pesquisa sobre a qualidade da informação em páginas sobre a dengue, publicada em 2014, mostrou que nem o site do Ministério da Saúde (entre outros portais oficiais) havia conseguido boas avaliações, em termos de indicadores de qualidade que mediam desde a confiabilidade da informação até a maneira como esta é apresentada aos cidadãos comuns. A avaliação foi feita com a participação de profissionais médicos e também de moradores da comunidade de Manguinhos (onde está localizada a Fiocruz), o que permitiu ir além de uma análise apenas do conteúdo técnico das páginas.
 
Como afirma o coordenador do Laboratório da Fiocruz, André Pereira Neto, ainda falta, no Brasil, um sistema de certificação da qualidade da informação sobre saúde nos portais da Internet. É fundamental que esse tema esteja presente nas discussões dos gestores sobre usos da Internet e políticas públicas.
 
Precisamos lutar não apenas contra o mosquito, mas também contra os falsos boatos que se alimentam dos nossos medos e a dificuldade para ter acesso a informação de qualidade.
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